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Amnésia

  • 18 de jul. de 2014
  • 2 min de leitura

Esquecendo-se que não era dia útil, acordou cedo.

Esquecendo-se que era preguiçoso, resolveu sair um pouco.

Esquecendo-se que odiava chuva, saiu mesmo assim.

Esquecendo-se que preferia integral, tomou desnatado mesmo.

Esquecendo-se que era rotina, fez algo diferente.

Esquecendo-se que aquele não era seu caminho comum, foi por outro.

Esquecendo-se que era estressado, relaxou um pouco.

Esquecendo-se que não era sociável, andou de cabeça erguida.

Esquecendo-se que odiava as pessoas, sorriu pra elas.

Esquecendo-se que era ansioso, ouviu elas.

Esquecendo-se que era rabugento de manhã, riu com elas.

Esquecendo-se que era incompetente, fez o trabalho certo.

Esquecendo-se que era submisso, confrontou o que achou errado.

Esquecendo-se que era teimoso (orgulhoso), ouviu (aceitou) as críticas.

Esquecendo-se que era burro, permitiu-se ir bem na prova.

Esquecendo-se que saía sempre cedo, ficou um pouco mais.

Esquecendo-se que era tímido, olhou-a nos olhos.

Esquecendo que era av(f)o(b)ado, conversou tranquilamente com ela.

Esquecendo-se que era frouxo, tomou ação.

Esquecendo-se que era fraco, laçou-a forte com os braços.

Esquecendo-se que era envergonhado, fechou os olhos.

Esquecendo-se das pessoas ao redor, beijou-a

Esquecendo que era um perdedor, venceu.

Esquecendo-se que era infeliz, sorriu.

Esquecendo-se de si, ganhou os outros.

Esquecendo-se do mundo, ganhou ela

E de repente lembrou-se.

Como num sonho lúcido bom.

Você tenta não acabar, mas ele vai perdendo a cor, o som.

Lembrou-se de tudo, lembrou-se de quem era.

E tremeu diante do que fazia.

Seu coração em taquicardia, sua barriga, frio puro.

E olhou pra ela assim.

Ela olhou-o de volta e sorriu.

Botou seus braços ao seu redor, acalentou-o e alocou-o.

Diretamente cravado em seu ventrículo esquerdo.

Aceitou o pacote completo, certezas, inseguranças e tudo mais.

Ele em seus braços, sorrriu e relaxou.

O homem que vivia co(mpleto)berto de suas verdades

Suas certezas inesgotáveis, intocáveis e irreais.

Calcadas em experiências abstratas que nunca foram.

Baseadas em situações que em si não são.

O impediam de viver em plenitude o que pensara.

Vivia de realidades alternativas, mortas sobre o pesado "se”.

Sonambulava no dia a dia, acreditando que um dia tornariam-se reais.

Que um dia enfim sua vida seria de fato viva.

Como mágica, ou milagre. Vivia sempre em standby.

E um dia acordou esquecido.

Esqueceu-se que eram realidades imaginativas.

Que só existiam em sua mente.

Extrapolou-as. Incentivou-as. Viveu-as.

E as fez reais.

BusinessmanSuccess_5404305.jpg

Imagem retirada de : http://pixgood.com/happy-businessman.html

 
 
 

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