Trauma
- 5 de fev. de 2015
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Quando tentam me beijar
Minha face vira
Quando lembro de sua ira
Que fazia de meu corpo seu lar
Se me elogiam, ignoro
Se me amam, desconfio
E por vezes apenas choro
Minha alegria por um fio
Desvio de beijos apaixonados
Escapo de abraços apertados
Evitando contatos visuais
Defendendo-me de iguais
Vejo sua sombra constante
Errante por entre toda rua
Sinto minha consciência oscilante
E minha fraca carne, nua
No escuro da madrugada ainda tremo
De imaginar sua vinda furtiva
Em meus sonhos uma imagem viva
Um pesadelo que ainda temo
Como um fantasma constante
Vejo-o sempre onde não está
Afastando quem me ama
Isolando-me a cada instante
De sombra em sombra me esgueiro
Tão preocupado em passar despercebido
Que deveria ter percebido
Que estava no centro do picadeiro
Não serei vítima de sua escuridão
Nem farei viver sua memória
Vou buscar meu lampião
E escrever minha própria história
Não mais refém em minha vida
Ou coadjuvante de minha peça
As feridas serão absorvidas
E que cicatriz alguma apareça
Assumo de vez o timão
E navego por águas que desconheço
Do final não sei um terço
Mas de minha vida sou meu capitão

Imagem retirada de: http://rodolfopamplonafilho.blogspot.com.br/2012/01/superar-um-trauma.html






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