Releitura de poemas clássicos para tempos modernos (II)
- 22 de nov. de 2016
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Soneto da (In)fidelidade
De tudo a minha peguete serei atento
Antes, e com tal zelo, porém nem tanto
Para que em face de maior encanto
Dela não sobre nem pensamento
Quero vivê-la em cada vão movimento
E em seu ardor hei de curtir seu encanto
E mentir meu riso e fingir meu pranto
Ao que fique mais fácil o esquecimento
E assim, quando mais a tarde me procure
Quem sabe o namoro, angústia do que vive
Quem sabe o casamento, fim do que ama
Eu possa me gabar do caso (que tive):
Que não fora imoral, posto que é na cama
Mas que seja secreto enquanto dure Baseado livremente no emocionante poema de Vinicius de Moraes
Soneto da Fidelidade
De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.






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